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Notícias Unisite

03/03/2009 - 07:37:49

Própolis,
Raquel Guttierres Gomes
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Ao longo da história, o homem apreendeu a utilizar os produtos naturais na medicina. Um dos muitos produtos naturais utilizados durante séculos pela humanidade tem sido a própolis administrada sob diversas formas. O uso da própolis como tratamento terapêutico natural vem de mais de 5.000 anos.

De origem grega, a palavra significa uma combinação de pró (defesa) e polis (cidade), "defesa da cidade", neste caso, a cidade é a colméia. As abelhas produzem a própolis para forrar os alvéolos, câmara onde as rainhas depositam os ovos e crescem as larvas. A utilizam também para vedar as entradas e orifícios da colméia. É a defesa da vida, preservando a temperatura interna da colméia e não permitindo a entrada de corpos estranhos, a fim de evitar a propagação de epidemias.

A própolis é uma mistura complexa, formada por material resinoso e balsâmico coletada pelas abelhas dos ramos, flores, pólen, brotos e exsudados de árvores; além desses, na colméia as abelhas adicionam secreções salivares. Vários trabalhos têm sido publicados divulgando as propriedades biológicas da própolis como: as antimicrobiana, antifúngica, antiprotozoária, antioxidante e antiviral.

As propriedades biológicas da própolis obviamente estão diretamente ligadas a sua composição química, e este possivelmente é o maior problema para o uso da própolis em "fitoterapia", tendo em vista que a sua composição química varia com a flora da região e época da colheita, com a técnica empregada, assim como com a espécie da abelha (no caso brasileiro também o grau de "africanização" da Apis melífera pode influenciar a sua composição).

Somente no caso do Brasil são descritas propriedades biológicas e composição química distintas para diferentes amostras coletadas em diferentes partes do país. Essa variação é facilmente explicada pela grande biodiversidade brasileira. Uma menor variação da composição química da própolis é observada nas regiões temperadas do planeta, como por exemplo na Europa, onde seus principais compostos bioativos são os flavonóides (flavonas, flavonóis e flavononas).

Hoje mais de 300 constituintes já foram identificados e/ou caracterizados em diferentes amostras de própolis, dentre eles: flavonóides, ácidos aromáticos, ácidos graxos, fenóis, aminoácidos, vitaminas A, B1, B2, B6, C, E e PP (encontradas na própolis de origem francesa), minerais como Mn, Cu, Ca, Al, Si, V, Ni, Zn e Cr.

Tem sido sugerido que a atividade antibacteriana possa estar associada ao alto conteúdo de substâncias do tipo flavonóides presentes no própolis. Existem relatos de que a substância ativa é termicamente estável, conservando sua ação antibacteriana mesmo após ser submetida à temperatura de 100ºC por meia hora . Fatores associados à técnica de extração, metodologia de condução de ensaios, local de origem do própolis e época do ano em que foi produzido podem ter influência sobre o maior ou menor grau de inibição do produto em relação às diferentes espécies bacterianas

A grande questão para o futuro é responder a uma pergunta antiga: qual própolis serve para qual ação terapêutica? E para isso é necessário definir quais parâmetros terapêuticos mínimos as diferentes própolis devem possuir, ou idealmente qual composição química mínima deveria ser exigida para que apresentem as propriedades farmacológicas desejadas. No caso da própolis européia a padronização de seu uso como "fitoterápico" é mais simples já que o principal parâmetro que rege sua atividade é o teor de flavonóides.

Portanto, determinando o teor de flavonóides e contaminantes (como metais pesados) seria possível classificar a qualidade da própolis. A caracterização da qualidade da própolis brasileira é um desafio multidisciplinar que a comunidade científica tem pela frente, tendo em vista a variação de composição e o grande número de compostos bioativos. É necessário determinar quais são os parâmetros que devem ser controlados para que a própolis comercial possua uma determinada atividade farmacológica.

De coloração e consistência variada, a própolis irá depender da origem do material coletado; isto é, reflete a variedade de vegetação próxima à colméia. No geral, a própolis é composta de 50% de resina e bálsamo de vegetais, 30% de cera, 10% de óleos aromáticos, 5% de pólen e 5% de várias substâncias. Dependendo da origem, pode conter acima de 400 substâncias químicas com funções ainda desconhecidas na fisiologia humana.

O flavonóide é o principal composto e o princípio ativo da própolis que age em benefício e atua no combate às doenças que atacam o homem. Dentre os produtos apícolas tais como mel, geléia real e pólen, a própolis vem se destacando tanto pelas suas propriedades terapêuticas, como atividades antimicrobiana, antiinflamatória, imunomodulatório, hipotensivo, cicatrizante, anestésica e anticariogênica.

A própolis é composta de: 50% resinas e bálsamos aromáticos, 25 a 35% de ceras, 10% de óleos essenciais, 5% de grãos de pólen, minerais do tipo: alumínio, cálcio, estrôncio, ferro, magnésio, silício, titâneo, bromo e zinco, vitaminas: provitaminas A e todas do complexo B, flavonóides e esteres cafeinados.

Pode ser utilizado em afecções inflamatórias superficiais, como estomatite, amigdalite, gengivite, piorréia alveolar, hemorróidas. No caso de estomatite e inflamações da garganta, o extrato alcoólico atua melhor no sintoma, uma vez que cria uma película protetora no local onde foi passado; é indicada para prevenção da saúde, recuperação da fadiga e prevenção de outros sintomas indesejáveis que ocorram internamente; para melhorar as ulcerações e inflamações e amenizar os sintomas do reumatismo, diabetes, hipertensão; fortalecimento da ação imunológica pela ação de linfócitos, estimulação do organismo enfraquecido, redução dos efeitos colaterais de anticancerígenos e radioterapia; prevenção e tratamento de pneumonia crônica e bronquite infantil e tratamento de queimaduras graves e efeitos sobre doenças dermatológicas.

Na colméia tem a função de fechar as frestas no interior da colméia, evitando corrente de ar ou frio; embalsamar os cadáveres dos inimigos que entram no interior da colméia, evitando sua decomposição, atuar como agente desinfetante e envernizar o interior da colméia, ou seja os favos de cria antes da rainha colocar os ovos, para obter assepsia dos ninhos, protegendo contra bactérias e vírus.

Raquel Guttierres Gomes, tupãense e doutoranda em Engenharia Ciência e Tecnologia de Alimentos pela UNESP/São José do Rio Preto