E-mail
Assine já!
Notícias Unisite

24/03/2016 - 10:31:33

EUROPA SITIADA
Por Roberto Musatti
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Bombas explodem em Bruxelas capital não só da Bélgica, mas do esforço de cooperação e solidariedade européia em termos políticos e econômicos. Uma das bombas que destruiu uma estação de metrô fica a apenas 300 metros da sede do Parlamento Europeu na cidade, que abrigava no momento uma reunião de representantes de todo o continente sobre assuntos financeiros. O aeroporto também alvo de suicidas do Aesh (Estado Islâmico) não deve reabrir antes de 48 horas, após 3 bombas (uma que não explodiu) e até um rifle AK47 terem sido descobertos na área de embarque.

Tudo isso ocorrendo após a prisão de um dos principais arquitetos do ataque a Paris meses atrás, realizado com sucesso relativo na semana passada – relativo por que pelo menos dois de seus comparsas, já identificados continuam foragidos. Tudo que ocorreu em Bruxelas era previsto, restando apenas um trabalho mais eficiente dos serviços de informações europeus que detectasse o local e a data dos ataques.

A Europa está sitiada por que insistiu em se colocar nessa situação, resultado de suas políticas hesitantes de combate ao terror islâmico fundamentalista global, políticas estas financeiras, de imigração, de liberdades civis, raciais e econômicas. A integração européia dos últimos anos que eliminaram fronteiras e assim exames, checagens de não só de pessoas dentro do continente como de armas e artefatos de terror, possibilitando que uma vez dentro da Europa, pequenas células de terror consigam se locomover com total liberdade entre os países.

Infelizmente essa facilidade dada aos terroristas não foi acompanhada pelo intercambio de informações entre os serviços de informações dos paises europeus. Franceses da DSGE não dividem informações com seus parceiros Belgas da SGRS que recebem também pouca info da BND da Alemanha. Enquanto Americanos (CIA e FBI) e Britânicos (MI5 & MI6)) trabalham de forma irrestrita, a Europa prefere reagir em função de eventos como o de Paris e Bruxelas em vez de prevenir de forma mais efetiva, citando a possibilidade de deflagrar criticas sociais.

O primeiro país a sofrer o impacto do terror islâmico foi Israel ainda no final do século passado, com homens bomba (suicidas) se auto-explodindo em ônibus em Jerusalém, pizzarias em Tel-Aviv, night-clubs, hotéis nas principais cidades do país. As medidas que foram tomadas pelo Estado Judaico ainda são alvo de criticas dos Europeus – a restrição de movimentação de palestinos, construção do muro de separação em Jerusalém, a guerra deflagrada pela Mossad fora das fronteiras do país, os métodos pouco ortodoxos da Shin-Bet dentro de Israel e o das unidades de forças especiais Sayeret Matkal, Duvdevan, Egoz e Oketz, entre outras menos conhecidas como a Mista'arvim (fluentes em Árabe, operando ‘undercovered’) infiltrados em especial nos territórios ocupados. Ainda hoje a reação firme das unidades de policia de fronteiras em todo o país à recente onda de ataques a civis com facas, onde raramente os terroristas não são ‘neutralizados’ (mortos no local) é tida pelos Europeus (especialmente a Suécia) como ‘reação desproporcional’. Por enquanto a resiliência dos israelenses e estas medidas tem reduzido em 85% o terror no país.

Alguns fenômenos recentes da Globalização catapultaram o terror islâmico para sua eficiência atual. 1. Financeiro: Os petrodólares circulam com extrema facilidade por todo o mundo, originários em especial de ONG’s da Arábia Saudita, Emirados Árabes, Qatar e Kuwait, financiam extremistas fora de suas fronteiras em troca de isenção dentro de suas fronteiras. A comunidade financeira mundial sabe suas origens e fins, mas prefere fazer vistas grossas pelos lucros que conseguem. Suíços e paraísos fiscais são mestres nesta arte onde até bancos americanos atuam. Cortar os fundos do Estado Islâmico é fácil e fundamental, porem não existe vontade econômica ou política neste sentido (essa é uma das acusações de candidato Trump). Da mesma forma Daesh consegue fundos dos campos de petróleo que explora no norte do Iraque que nunca são bombardeados como foram os do Kuwait na 1ª Guerra do Golfo sob a desculpa de que causariam ‘poluição atmosférica’ ! Na realidade muitos lucram com a venda deste petróleo abaixo do preço de mercado, da Turquia e seus governantes a petroleiras multinacionais.

2. Movimentos Imigratórios: Mesmo antes da crise Síria, um dos principais movimentos imigratórios por diversos motivos políticos (antigas colônias) e econômicos (mão de obra barata) explodiu na Europa trazendo milhões de imigrantes islâmicos transformando metrópoles européias – ‘Amsterislam’ (Amsterdã na Holanda) Marselha na França, Bruxelas e até Londres em fontes infindáveis de recrutamento de jovens muçulmanos frustrados por sua imobilidade social econômica.

3. Liberdades sociais: Os fundamentalistas islâmicos como Aish acharam na Europa um campo fértil para sua radicalização, através das Madrassas – escolas religiosas que na realidade divulgam a Saharia (lei básica islâmica medieval) e a Jihad, a guerra santa também medieval que prega o combate e eliminação dos ‘infieis’ ou todos não islâmicos. Dá aos jovens europeus islâmicos, cidadãos de 2ª classe no continente, a ‘raison d’etre’ ou motivação para suas vidas vazias alem de promessas de heroísmo e recompensas no alem. Poucas ou poucos Imans (clérigos) foram até hoje calados ou presos.

É impensável que os EUA com seus doze porta-aviões nucleares, drones, aviões stealth, forças especiais assim como seus parceiros Europeus da OTAN não consigam eliminar a ameaça do Daesh em mais de 48 horas. Aviões decolam e voltam sem despejar uma bomba sequer porque as ‘rules of engagement’ ou instruções de combate são absurdamente restritivas, enquanto os Sukhois da aviação russa de Putim em duas semanas praticamente acabaram com a oposição Síria em especial na cidade de Alepo.

Daesh (Estado Islâmico) assim como Hamas, Al Qaeda e Hezbolah podem e devem ser destruídos com relativa facilidade pelas democracias do Ocidente que são seu alvo de destruição desde que haja vontade política para isso Mas isso jamais virá através de solidariedade coloridas em monumentos ou seguindo as mesmas regras de combate definidas pela Convenção de Genebra, pois o outro lado não as segue – idolatram a morte e não a vida como o Ocidente. Não virá fazendo acordos nucleares com o Irã, criticando as operações israelenses em Gaza, fechando Guantanamo, deixando os paises do Golfo e Paquistão continuar com seu furtivo apoio ao terror islâmico ou abrindo as fronteiras européias para os refugiados dos conflitos na Síria, Iraque e Afeganistão sem restrições.
É tudo que prega o candidato Trump, possivelmente próximo presidente dos EUA, cortesia de eventos como o de Bruxelas.

Roberto Musatti - Economista (USP), Mestre em Marketing (Michigan State) e Professor da Reges