E-mail
Assine já!
Notícias Unisite

25/04/2016 - 08:56:03

BRASIL NO FIM DO MÊS: AS CONTAS NÃO BATEM.
Por Roberto Musatti
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Capa da revista 'THE ECONOMIST'
Capa da revista 'THE ECONOMIST'
Assim como a maioria dos brasileiros, a economia do país também chegando ao fim do mês vê que as contas não batem, ou seja, as despesas e os problemas superam as receitas e as soluções. Para agravar a situação uma crise política sem precedentes recentes continua seu curso, impedindo momentaneamente qualquer possibilidade de ação corretiva. Viramos até capa da mais prestigiosa revista de negócios do mundo – o The Economist – pela terceira vez, agora para adicionar a visão parcialmente míope da mídia estrangeira sobre nossos problemas, que o PT no seu desespero de ‘não largar o osso’ chama de ‘Golpe Parlamentar’.

Sobre isso vale discorrer um pouco. Talvez obcecado tanto pela Economia Comportamental como pelas teorias do Comportamento do Consumidor em Marketing, professo a opinião de que grande parte da população brasileira finalmente absorveu a percepção que os descalabros econômicos, financeiros e ilegais regados pela impunidade, frutos do programa dos últimos anos de perpetuação no poder do PT, chegaram a uma proporção jamais alcançada na historia deste país.

Num momento economicamente delicado, com desemprego, recessão e inflação desenhando uma tempestade perfeita, pode se entender a percepção de revolta da nova classe media brasileira com os seguidos desdobramentos da Operação Lava Jato, que desvendam os bilhões surrupiados pelos altos escalões do partido justamente dito dos trabalhadores, para financiamento de campanhas ou benefício próprio. O que se vê nas ruas hoje não é apenas uma vontade de mudança – é um sentimento de revolta, de reação à desesperança.

O que a presidente Dilma não enxerga é que sua destituição não é pela tecnicalidade das pedaladas, mas a vontade popular de boa parte da população em extirpar o PT do governo e possibilitar o fim da impunidade e a condenação criminal por corrupção dos principais responsáveis pela crise econômica atual, a começar pelo topo da pirâmide - o ex-presidente Lula e seus familiares e colaboradores mais próximos. Al Capone é um bom precedente e exemplo histórico – o principal mafioso, criminoso da época, preso por causa de seu imposto de renda!

Não se trata de golpe porque as instituições mesmo aos solavancos, têm exercido seu papel – da Policia Federal ao Ministério Publico Federal, à Justiça Federal, ao Congresso e ao Supremo Tribunal Federal – dando sempre o direito de defesa aos acusados. É até emblemático que uma ex-guerrilheira que não teve remorsos em participar de ataques terroristas em sua juventude para tentar criar uma ditadura socialista no país, chame de golpe sua remoção democrática do poder...

Mas voltando à economia, por mais de uma década, o PT fez o oposto do que pregava. Em vez de agir como representante da classe operaria, se bandeou - mais uma vez na historia deste país – para uma monarquia absolutista aos moldes portugueses do Brasil Colônia. Aprimorou a arrecadação (até estratosféricos 37% do PIB), financiou seu exercito paralelo a agir ilegalmente e impunemente (MST, CUT, Ligas Campesinas e outros similares) e desarmou a população, desrespeitando assim os direitos básicos de defesa e propriedade ao mesmo tempo. O principal foi agir como déspotas monárquicos europeus do século XVII pregando como suposta afronta qualquer proposta de prestação de contas do dinheiro público abrindo assim caminho para corrupção e gastos puramente eleitoreiros, um vicio repetido à exaustão pelos colegas bolivarianos, que estão a destruir as economias de seus países como a Venezuela.

Gastou com programas sociais, estimulou déficits na seguridade social via aumentos constantes acima da inflação ou produtividade nos salários mínimos, criou um Frankstein de gestão pública cujo tamanho não cabe mais dentro do país e criou um fundo de corrupção e financiamento de campanha bilionário, destruindo financeiramente a Petrobras. Endividou-se até níveis insuportáveis que consomem quase 40% de tudo que arrecada, mantendo juros explosivos para tentar atrair a poupança externa sem se preocupar com os efeitos inflacionários destas medidas. Freou bruscamente os investimentos na infra-estrutura, que geram competitividade externa, cortam o Custo Brasil e geram exportações, criando desemprego e reduzindo o mercado interno.

A conta deste mês mostra que o desespero é o pior dos conselheiros. A troco de uma possível sobrevida no Congresso e Senado, Dilma, Lula e seus pares não estão hesitando em oferecer milhões que não possuem a possíveis votos favoráveis! Se o déficit publico já era estimado em R$ 60 bilhões, agora pode passar de R$100 bilhões se estes inconseqüentes antipatriotas tiverem caminho livre...para rebaixar ainda mais os papeis brasileiros, trazer menos capitais ao país, a um juro cada vez mais distante da realidade mundial, inflacionando, desempregando e gerando uma recessão que pode sim chegar a uma depressão ao estilo 1929 ou Grécia.

É por isso que boa parte da nação clama por uma mudança. Não pelas pedaladas – esconder debaixo do tapete o déficit público – mas sim pela ganância, a irresponsabilidade e arrogância da impunidade dos que levaram o país a este descalabro econômico, APESAR do favorável panorama externo que tiveram e a pujança do agronegocio do Brasil, que não conseguiram botar as mãos.
Não é golpe. É o último suspiro da esperança que uma mudança radical coloque o país, a cultura brasileira na rota da crença na igualdade de oportunidades, na segurança jurídica, na confiança nas instituições e no fim da impunidade como “modus vivendi”.

Como uma vez o país acreditou que o PT seria capaz de fazer.

Roberto Musatti - Economista (USP), Mestre em Marketing (Michigan State) e Professor da Reges