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Notícias Unisite

21/07/2016 - 13:12:51

PODE DAR TRUMP…
Por Roberto Musatti
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Dois meses de preparação para sair quase isso para chegar e arregaçar as mangas para estudar, ‘apenas’ 40 anos e lá vai fumaça da ultima incursão em sala de aula como aluno... ‘No outro século...’ – como costumo dizer a meus acadêmicos de Direito, Administração e Contábeis.

Estudar não apenas na sala de aula como em todos os aspectos possíveis do cotidiano Norte Americano Californiano...sim, porque a Califórnia é um estado diferenciado dos demais por ser o mais rico, o de maior PIB (para raiva e inveja do Texas e Nova York) e o de maior diversidade social, com quase 50% de hispânicos no sul do Estado, tornando alem de obrigatório, mas também uma boa política de marketing, que tudo esteja escrito em Inglês e Espanhol – do ‘Não Fumar’ ao ‘Nem pense em parar seu carro aqui’.

San Diego então encanta para quem gosta desta diversidade. É uma cidade militar com uma das maiores bases da Marinha, sede de 3 Porta Aviões Nucleares e boa parte da frota do Pacifico, mas também é mais uma ‘aldeia’ da tribo dos surfistas que se esparramam pelas praias e os bairros vicinais. Existe uma perpetua impressão de férias de verão...especialmente no verão, como agora – claro! As sempre freqüentes bandeiras americanas nos portais das casas de militares, ex-militares ou familiares de militares contrasta com a grande população latina, não restrita apenas aos Mexicanos como aos de outros paises latino-americanos e aos Italianos que fizeram de boa parte do centro da cidade um cantinho da Itália...com restaurantes, bares e até supermercados do Velho Continente. Como foi gostoso comer pão com azeite e um ‘risoto ai fungui’ (cogumelos) num restaurante na calçada, ao bom som de musica italiana, neste ultimo domingo na Little Italy! E bem em conta também...

Os brazucas aqui também comandam uma respeitável comunidade de cerca 25 mil – de surfistas a professores de faculdade, a 3ª maior comunidade étnica da cidade. O recente sucesso de nossos surfistas e a Olimpíada dá um tom de respeito e até paixão (nas crianças) por tudo que é brasileiro. Serve para combater todo o negativismo do Zika, a corrupção e a violência do Rio, que é matéria constante da mídia.

A cada momento o olho e o faro apurado do economista-marketeiro...corinthiano (!) consegue descobrir aspectos que se por aqui são o cotidiano, para nós ainda representa uma longa escalada para que seja atingido. Varias palavras podem definir estas diferenças, mas se apegarmos a apenas algumas, veremos que boa parte é regida por elas – respeito, igualdade e conveniência. O respeito rege as ações entre as pessoas, a educação no trato, a obediência ao estipulado, às leis e à boa conduta. Não por que seja obrigatório, mas porque é esperado. O oposto é que é inesperado. A igualdade – nas oportunidades, nos aspectos que regem a vida econômica, política e em parte social da sociedade.

É claro que existem diferenças, desrespeitos e principalmente aspectos de racismo – de cor, religião e nacionalidade, mas na Califórnia bem menos que nos estados sulistas. Los Angeles é uma cidade com grande população afro-americana que tem tudo para ser explosiva, mas consegue contornar a onda de insatisfação que assola comunidades em todo o resto do país. Por enquanto.

O país está longe de ser a terra do ‘Leite e Mel’ bíblico – especialmente no que tange à questão racial. Se de um lado a brutalidade e parcialidade das forças policiais é uma constante, por outro a violência das comunidades afro mesmo entre si e a agressividade destes para com a maioria branca também é um fato. E no meio, os latinos (Mexicanos, Porto Riquenhos, Venezuelanos, Cubanos principalmente) que ocupam todos os possíveis postos de trabalho que os americanos não querem ou desprezam – trabalhos estes de pouca complexidade - e ainda tem que agüentar Trump dizendo que eles tiram empregos de americanos...! Só na cabeça dele....

Mas esta semana por enquanto foi a festa Republicana que escolheu Trump como seu candidato que dominou a mídia. E pelo que pôde ser visto... Com boas chances de vitória em Novembro. Esperava-se, quem sabe, uma revolta do partido contra um candidato de fora do esquema político e o que se viu foi um apoio recorde à sua candidatura. Do aposentado ao militar, do jovem universitário ao empreendedor, até do latino legal vem forte apoio ao candidato Trump. Mesmo de barriga cheia, o americano quer mais e reclama do que tem.

Quer ver o fim do ‘outsourcing’ ou a manufatura de produtos americanos no exterior e conseqüente evasão de empregos. Quer se sentir mais protegido em suas fronteiras, como os Europeus começam agora a promover. O muro de Trump na fronteira com o México, se antes de Nice e outros atentados, era imoral, hoje é bom senso. Idem para a fronteira com o Canadá, que em vez de um muro vai ganhar milhares de novos guardas de fronteira.

Quer ver seus porta-aviões, submarinos e aviação nucleares não mais como exemplos de ‘detente’ (freio a aventuras de inimigos) da doutrina Kissinger com o Russos e Chineses, mas sim como efetivas armas de destruição dos que ameaçam a segurança do cotidiano americano. Se o fundamentalismo islâmico pensar em fazer algo como Nice contra os EUA, o eleitor americano espera que Trump faça o que promete...pulverizar a fonte do terror, algo como a reação esperada de Israel... ao cubo.

Quer ver seus veteranos de guerra respeitados e tratados, seus desempregados, seus idosos e menos bafejados pela sorte, assistidos especialmente na saúde. Golpes na Turquia, atentados na França e no Oriente realmente mudaram a mentalidade dos eleitores que agora consideram o Islã o inimigo #1 do país. Trump é bem claro: eles não gostam de nós...e nós também não gostamos deles, sem a retórica diplomática mal sucedida de Obama que para boa parte da população é bom de discurso e fraco de ação.

Quer o fim do acordo com o Irã por desconfiança, a mesma em relação à Arábia Saudita, Paquistão e Emirados Árabes e dá irrestrito apoio a Israel – visto como primeira trincheira contra o terror islâmico. Netanyahu vai ter poucos problemas com a administração Trump, oposto do que teve com Obama. Quer o fim da imigração Síria de Obama, pois não confia que o FBI possa evitar a entrada de radicais.

No comercio apóia o Brexit pois assim como os britânicos, quer ser dono de seu próprio nariz, sem as amarras de acordos bilaterais ou multilaterais. Quer o fim do déficit com a China e o México com tarifas e protecionismo. É difícil achar eletrodomésticos, ferramentas, roupas e artigos para casa em grandes lojas de departamentos que não sejam Chineses. A rede Walmart poderia acrescentar uma letra L a a mais em seu nome em homenagem á Muralha da China (Great Wall em Inglês)! Sam Walton agora seria ‘China Walton’.

Tudo que Trump promete.

Para coroar tudo isso, a candidata Democrata é tudo que o americano está cansado...considerada como 3º mandato de Obama e associada ao empresariado de Wall Street e do Petróleo. Seu passado no imbróglio de Bengazi e suas mentiras sobre seus e-mails pouco ajudam com os militares e conservadores.

Por tudo isso... Pode dar Trump, o Roosevelt do século XXI...
Que para o Brasil até seria interessante!

Roberto Musatti - Economista (USP), Mestre em Marketing (Michigan State) e Professor da Reges