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Notícias Unisite

13/01/2017 - 10:40:38

LIÇÃO DE MORAL
Por Roberto Musatti
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


As últimas semanas não têm sido fáceis para Israel e nada indica que isto deva melhorar para as próximas, com a Conferencia de Paris se reunindo apenas alguns dias antes da troca da guarda na Casa Branca. A política internacional é realmente algo inusitado quando se trata de Israel. Os ditos Palestinos (conotação criada pelo terrorista e fundador da Al-Fatah, Iasser Arafat) trabalharam por mais de ano para que esta reunião ocorresse em Paris com o exclusivo propósito de legitimizarem suas posições de destruição de Israel, embora digam que querem a solução de dois estados separados, enquanto bem ali no centro do caldeirão que é o Oriente Médio, um verdadeiro genocídio está em curso na Síria, orquestrado por sunitas e xiitas, ou seja, árabes sem envolvimento de Israel. Não está programada em Paris ou em qualquer outro centro político global, uma reunião para discutir as crianças morrendo em Alepo, Mosul ou os refugiados sírios morrendo de frio na fronteira com a Turquia. Por menos de 1% de mortos e feridos Dilma Roussef definiu a reação de Israel aos ataques de mísseis do Hamas em Gaza como genocídio embora ainda não tenha se manifestado sobre a crise humanitária Síria. Não está só, aliás é maioria visto que a ONU também não, apenas reunindo o Conselho de Segurança para aprovar cessar fogos entre as partes ou condenar Israel, agora com a benção do ‘Pato Manco’ Obama.

Já não é de hoje que a ONU desempenha um papel vergonhoso, fruto da ‘ditadura da maioria’ de países muçulmanos em conluio com ditaduras do terceiro mundo e democracias em desenvolvimento (antigas subdesenvolvidas) contra os EUA, o Ocidente e em especial Israel. Nos últimos dez anos foram duzentas e vinte e três moções aprovadas contra Israel e apenas oito contra a Síria de Assad. A Líbia de Gadafi presidiu a Comissão de Direito Humanos e a Venezuela fez parte dela assim como a Arábia Saudita! A Unesco conseguiu numa canetada no fim do ano passado reescrever a historia de Jerusalém reconhecendo a exclusividade da Mesquita de Al Aqsa deletando o Templo de Salomão representado pelo Muro das Lamentações. Nem os mais fanáticos seguidores de Salah ad-Din da Idade Média sonharam com tamanha aberração, afinal Jesus Cristo até prova contraria... era judeu, ou seja: junto foram deletados a Igreja do Santo Sepulcro, a Via Dolorosa agora rebaixados pela Unesco a uma fantasia de Hollywood ou de Mel Gibson.

Agora o ‘Pato Manco’ Obama, no apagar das luzes de seu mandato (e também de seu legado) apóia uma condenação a Israel pelo Conselho de Segurança, estipulando que qualquer atividade em Jerusalém e territórios ‘conquistados’ na Guerra dos Seis Dias em 67, são ilegais e passiveis de sanções. Ou seja: judeus rezarem no Muro das Lamentações ou árabes serem tratados no Hospital Hadassah agora é crime! Não é novidade que Obama não gosta de Netanyahu (como ele deixou escapar em ‘off’, captado por uma rede de TV americana), especialmente pela sua oposição ao tratado nuclear com o Irã - hoje periclitante, mas agora surtou! Os subservientes Secretario de Estado Kerry e a embaixatriz americana na ONU estão suando para defender esta posição egocêntrica, irresponsável e

vingativa de um Presidente amargurado pela sua derrota fragorosa nas urnas de Novembro. A paz agora está ainda mais longe neste conflito, pois agora a Autoridade Palestina não precisa mais negociar com Israel – paz e territórios em troca do reconhecimento da existência do Estado de Israel – basta exigir que essa resolução seja seguida e Israel saia da Cisjordânia e Jerusalém ou sofra sanções. Aí o Hamas poderia despejar quantos mísseis quisesse de dois fronts - junto com Gaza. Ou alguém esqueceu que Sharon devolveu Gaza, retirou a força os colonos israelenses que ali estavam, para que o Hamas alguns meses depois começasse a despejar mísseis contra a população civil das cidades vizinhas israelenses?

Israel não pode construir assentamentos na Cisjordânia ou seja: judeus não podem morar em terras árabes...embora, 19.8% da população de Israel seja árabe, quase 30% dos médicos e alunos da prestigiadíssima Faculdade de Tecnologia Technion e quase 50% dos farmacêuticos de todo o país. Todos os alunos árabes em Israel podem adiar seus exames no período de Ramadã, o Parlamento (Knesset) tem deputados árabes, uma das mais prestigiadas jornalistas da TV israelense é árabe, assim como existem juizes, chefes de policia e oficiais do exercito (drusos). Nada disso é sequer perto de ser permitido para judeus em Gaza, na Cisjordânia ou nos mais de vinte paises muçulmanos e árabes que circundam Israel. Porem mesmo assim, a ministra das relações exteriores da Suécia engrossa o caldo daqueles que acusam Israel de ser um país racista que pratica o apartheid esquecendo dos mais de 30 mil judeus da Etiópia (Felashas) resgatados e integrados no país, hoje figurando no exercito, na policia e nas demais instituições do país normalmente.

Para finalizar – fica difícil para Israel sentar para discutir a paz e qualquer acordo com grupos terroristas e países que abertamente pregam sua destruição como Hamas, Hezbollah, Autoridade Palestina (Al-Fatah) e os teocratas do Irã. Qual outro país dos mais de 150 da ONU tem sua sobrevivência diariamente questionada e ameaçada? Nenhum! Mesmo assim Israel mantem seu alto padrão moral. O exercito (Tzahal) telefona para os prédios antes que sejam bombardeados em Gaza para que a população civil saia, aborta ataque de drones a terroristas quando civis inocentes estão por perto, monta hospital na fronteira Síria para refugiados, prende, julga e condena soldados que matam desnecessariamente terroristas confessos. (A Inglaterra inocentou os policiais da SAS que mataram Jean Charles por engano no metrô de Londres e até hoje, mais de 10 anos depois não indenizou a família).

Mesmo que Paris venha ser outra paulada, Israel e o povo judeu sobreviverão como nos últimos três mil anos e, sem querer profetizar, Trump pode estar pensando em reverter o imbróglio de Obama, mudando a embaixada americana para Jerusalém, algo bem no seu estilo - mexendo em todo o tabuleiro do Oriente Médio!

Roberto Musatti: Economista (USP), Mestre em Marketing (Michigan State), Doutorando (CIBU-San Diego)