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Notícias Unisite

27/01/2017 - 12:17:24

PAREM COM ISSO!
*Roberto Musatti
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA


Os EUA passam por um momento fascinante e estar aqui é uma chance talvez única. Um dos fascínios é o mar agitado em que se tornou o ambiente político local, onde a esquerda liberal democrata com seus tentáculos em Hollywood e na grande mídia não engole a subida ao poder de um candidato totalmente oposto aos seus desejos e visões. Trump foi eleito pelos americanos do Midwest, das cidades industriais, dos subúrbios, das zonas rurais conservadoras, dos estados de fronteira com o México, pela classe média operária, e na última hora, pelos capitães da indústria de base. Quando se olha o mapa de sua vitória, é um mar de estados no coração do país, o cinturão das indústrias em Michigan (autos), Pensilvânia (aço), Ohio e Indiana (indústrias de base), do cinturão do milho nas Dakotas, Iowa, no leite de Wisconsin, no gado de Montana, na soja de Kansas e Oklahoma e por aí afora – foram quase 50% a mais de estados que Clinton! A sabedoria dos reverenciados fundadores da pátria americana que criaram o sistema eleitoral misto de votos eleitorais com os populares que permite maior representatividade impedindo que apenas 2 ou 3 estados decidam os rumos do país, ficou evidente nestas eleições. Se por um lado Clinton apesar da fragorosa derrota no voto eleitoral levou o voto popular com mais 2,8 milhões de votos, por outro excluindo apenas três estados mais populosos e liberais – Califórnia, Nova Inglaterra e Nova Iorque – o resultado se reverte para uma derrota de Clinton por mais de 3,3 milhões de votos. Assim é a estatística, diz Delfin Netto: “Como o biquíni: O que mostra é importante, mas o que esconde é fundamental!”

É de se estranhar o posicionamento de comentaristas tidos como reputáveis e cultos como Caio Blinder da Globo/JovenPan que, além de tudo, moram nos EUA de longa data quando deixam de reconhecer que a América não é um país – é um continente onde os estados são verdadeiros países com culturas, origens, economia e vida política-social bem diferenciada. Estes 3 estados mencionados acima onde Clinton nadou de braçada, tem muito em comum por exemplo com São Paulo... são muito pouco amados no resto do país e se consideram acima da média do país em termos de conhecimento, globalização e internacionalização. Conselho a Blinder: alugue um carro, saia de seu lar em Nova Iorque e guie pelo país – conseguirá entender a vitória de Trump falando com os desempregados em Pittsburg, vendo as fábricas fechadas em Cleveland, Detroit e Filadélfia. Vendo as usinas de açúcar paralisadas nas Carolinas. Os imensos estoques lácteos de Wisconsin. Falando com as minorias de Alabama, Mississipi, Missouri, Geórgia e Tennesee.

A mídia é bem estranha. Até ontem todos os economistas de plantão criticavam os EUA pelo seu tremendo déficit comercial, afirmando que a poupança mundial financiava os gastos do maior mercado consumidor do planeta (20% do total) situação que deveria ser estancada. Não é mais admissível entrar no maior varejista do mundo (Walmart) e ver apenas 20% do que vende ser feito nos EUA. Pois é o que Trump quer fazer e já começou rejeitando o tratado do Pacifico. A grita e as previsões do fim do comércio mundial já começaram, porém se esquecem que o problema é um comércio internacional JUSTO! Todos querem vender aos EUA e para isso mantem salários em seus países deprimidos, não aceitam sindicatos, mantém seu câmbio subvalorizado ou seus impostos e juros subsidiados para serem mais baratos que os produtos Made in USA. O mundo cresce, o desemprego global cai e o americano.... cresce. Trump foi eleito presidente dos americanos – não dos indonésios, japoneses, coreanos ou chineses. Ah... mas isso pode causar inflação de preço nos EUA se ele colocar impostos de importação, afirmam os críticos. Sim, mas pode aumentar os salários pelo incremento da produção, da oferta de empregos e crescimento do PIB!

Todos são rápidos em criticar o muro com o México (que será mais uma ideia do que um monumento), mas poucos lembram como é difícil um imigrante trabalhar legalmente na Europa ou na Austrália. E proibido quase que totalmente na Nova Zelândia. Reinaldo Azevedo poderia dar um pulinho na Califórnia e ver o estrago que a imigração ilegal (inclusive brasileira) faz. O salário mínimo agora é US$ 17 por hora, mas os ilegais trabalham por US$ 8,00 tirando de cena os jovens estudantes ou recém graduados do mercado. Como a democracia californiana impede que se peça identificação a qualquer pessoa no estado a não ser que esteja ou tenha cometido um crime ou infração... existem milhares de ilegais em cada cidade do estado que se por um lado é uma potencia de produção, também é um desastre social trabalhista.

Chamar Trump de nacionalista, populista e de direita quase fascista é desconhecer a história americana e sua unicidade. Trump não é isolacionista, apenas quer resgatar o orgulho nacional e o respeito internacional, ambos abalados nas últimas décadas. Rooselvelt (o 1.º) jamais deixaria a invasão da embaixada em Teerã e os reféns da Guarda Islâmica sem resposta como Carter fez. Ou o ataque a Bengazi e o sequestro do navio e marinheiros feito pelos aiatolahs, como Obama também permitiu. Pegou Bin Laden, mas aonde? A dois quarteirões de um quartel do exército paquistanês, tido como seu grande aliado na região – denunciado por um médico local, hoje preso por traição pelos militares! O que os militares desmotivados querem é recobrar o respeito que seus pares ingleses e israelenses possuem. Por muito menos a Argentina sentiu o peso do velho império britânico e o respeito aos SAS. Assim como o Hamas e o Hezbollah pelos Golanis e Sayeret Makal. A realidade atual é de um Putim comunista sonhador com a volta da grande Mãe Rússia, um nacionalismo expansionista militar chinês no Oriente e as ameaças tresloucadas do terror islâmico, da bomba nuclear xiita e do patético líder norte coreano. O mundo não pode se dar ao luxo de outro plantador de amendoim na Casa Branca!

Hollywood liberal engrossa o caldo dos inconformados. Começou com o destrambelhado discurso de Merryl Streep, o estapafúrdio pedido de ‘resistência’ de Michael Moore - que fez um filme sobre a suposta participação da Arábia Saudita no 11 de setembro e fuga destes, dias depois e autorizada por Bush e que logo, deveria estar contente com a fala de Trump que irá acabar com a ameaça do terror islâmico seja de onde ele vier, culminando agora com a apresentadora de TV se dizendo horrorizada por que a 1.ª dama não é americana e fala com sotaque! A anta se esquece que a Rainha da Suécia é brasileira, a da Holanda é Argentina... e Melania fala ‘apenas’ 5 idiomas, bem acima da tida irreparável Michelle Obama que nem espanhol balbuciava.

Se a desorientada Madona (o alqueire dela realmente não mede 24!) repetisse em Londres (capital mundial da liberdade de expressão) seu discurso deste domingo em Washington onde disse “pensei bastante em explodir a Casa Branca...”, mudando apenas para o Palácio de Buckingham, provavelmente estaria vendo o sol nascer quadrado na sede da Scotland Yard.

Pois é Reinaldo e seus seguidores, como dizia o guru Peter Drucker, “tentar prever o futuro é como dirigir numa estrada de montanha a noite, sem faróis e olhando pelo vidro traseiro”. Dizer que Trump não chega ao fim do mandato é no mínimo temeroso, especialmente pelas últimas previsões a respeito que hoje fazem parte do cabedal de erros crassos (junto com os de Blinder) que circulam como galhofas na rede social.

Parem com isso! Discordar é republicano, ridicularizar é mesquinho. Quem sabe Trump seja uma grata surpresa, de que americanos e o mundo tanto precisam?

Roberto Musatti: Economista (USP), Mestre em Marketing (Michigan State), Doutorando (CIBU-San Diego)