E-mail
Assine já!
Notícias Unisite

08/03/2008 - 08:42:59

Pesquisa avalia acesso a serviços odontológicos no estado do Rio de Janeiro
Resultados mostram que 7,6% dos jovens, 1,8% dos adultos e 2,6% dos idosos nunca consultaram o dentista. Os menos escolarizados, com menor renda e com menor posse de eletrodomésticos apresentaram maior limitação de acesso.
ALTERA O
TAMANHO DA LETRA



Dados dos últimos inquéritos sobre saúde bucal mostram que boa parte da população brasileira não tem acesso aos serviços de saúde odontológicos. No Estado do Rio, apesar de a oferta estar acima dos padrões quando avaliada por meio da relação dentista/população, o Rio apresenta hoje uma média de um cirurgião dentista para cada 607 habitantes, a segunda maior razão em todo o Brasil , o acesso e a utilização de serviços odontológicos são heterogêneos e estão associados a fatores de natureza social, econômica, cultural e demográfica.

Isso é o que mostram Antonio Luís Dias Manhães e Antonio José Leal Costa da Universidade Federal do Rio de Janeiro em um estudo que teve como objetivo analisar o acesso e a utilização de serviços odontológicos no estado, a partir dos dados constantes na base do suplemento de saúde da PNAD 1998.

Participaram do trabalho 7.756 pessoas subdivididas em três estratos etários: de 15 a 19 anos, de 35 a 44 e de 65 a 74 anos. De acordo com artigo publicado na edição de janeiro de 2008 dos Cadernos de Saúde Pública, cerca de 14% dos adolescentes brasileiros nunca foram ao dentista, segundo o Projeto SB Brasil 2003. Os idosos brasileiros, por sua vez, apresentam uma baixa utilização de serviços odontológicos. Em seu conjunto, a proporção de idosos que visitaram o dentista há menos de um ano em 2003 (13,2%) foi cerca de três vezes menor que a observada na população idosa americana.

Os pesquisadores observaram que as proporções de indivíduos que nunca consultaram o dentista foram de 7,6%, 1,8% e 2,6% respectivamente, entre os jovens, adultos e idosos. Os resultados sugerem que indivíduos menos favorecidos em termos sócio-econômicos apresentavam maior limitação de acesso, ou seja, os menos escolarizados (jovens e adultos), com menor renda per capita (jovens e idosos) e com menor posse de eletrodomésticos (adultos) apresentaram freqüência menor de consultas. Além disso, segundo eles, entre os jovens e os adultos, a posse de plano de saúde mostrou-se inversamente associada à restrição de acesso.

Os especialistas sugerem que os resultados sejam utilizados na elaboração de medidas que contribuam para a homogeneização do acesso aos serviços públicos odontológicos. Nós buscamos contribuir para a identificação de desigualdades, com vistas a subsidiar o adequado planejamento de ações de saúde bucal, em consonância com as estratégias para alcançar as metas estabelecidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para o ano 2020, ressaltam no artigo.

Agência Notisa(science journalism - jornalismo científico)